É possível ser livre?

O que faz bem e o que faz mal…

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere…

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais… os médicos deveriam proibir – como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mozarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Martha Medeiros

 

 

 

É possível ser livre?

Lilly Hastings
Como podemos ser curados de uma personalidade estreita e artificial e nos tornar-nos nossa natureza essencial se não conhecemos e admitimos nosso “mal”? Mapa: investigar e achar seu “traço principal” ou “fraqueza principal”. Algumas características você já sabe que tem. Ninguém é completamente ignorante sobre seu “jeitão” de ser… Alguns comentários sobre sua forma de se comportar e agir, vindos de pessoas diferentes, repetidas vezes, devem fazer você prestar atenção… Certas características os outros vêem melhor que nós mesmos.

Qual é sua preocupação mais recorrente? O que normalmente passa em sua cabeça quando se prepara para ir a uma festa? E quando chega numa reunião profissional? Além do desejo mais superficial de se divertir ou ter sucesso em seus objetivos profissionais, o que é que você precisa, de fato, sempre dar conta? Aquilo que move sua postura, seu tom de voz, a sua forma de se apresentar, de se vestir, os seus gestos…

Qual é a impressão que você quer passar? E a que você de fato passa, você conhece? Como os outros definiriam você? Você se reconhece em pelo menos algumas destas definições? Reconhecer a fraqueza principal fica mais fácil quando sabemos que todos temos fraquezas, que faz parte da condição de Ser Humano e que, na verdade, “Eu não sou minhas fraquezas”. Elas me fazem agir de um jeito específico certas vezes (quando estou distante da minha essência), mas eu não sou as emoções nem os pensamentos de minhas fraquezas.

Imagine que você está bem de saúde, alegre, cheio de energia e disposição e sai em seu carro, meio velhinho, que anda quebrando… De repente ele engasga mesmo e para. Você pode ver a situação de fora, fazer o necessário para consertá-lo e pronto. Você não é o seu carro! Não vai se igualar a ele! Da mesma forma, é a sua personalidade que vez ou outra enguiça e fica estreita e pequena… Não você! E se você se lembrar disso, pode rir das suas bobagens e limitações. Mesmo que fale “ainda não consegui superar essa loucura!”. Admitir as fraquezas é uma maneira rápida de evoluir. Admitir com bom humor, consciente de que você tem mesmo essa tendência e investigar a razão oculta das suas manias pode ser bem interessante.

Nem sempre conseguimos ter esse bom humor todo quando nossa fraqueza é apontada pelos outros! Então experimente você mesmo captar essas tendências e, no seu silêncio, na quietude consigo mesmo, observar os ajustes sutis que sua mente faz para atender suas “neuroses” e achar exatamente os alimentos que nutrem a mesma visão estreita, já que são sempre os mesmos plugs nas mesmas tomadas, tudo mecânico…

Assim, você pode começar a se “desmecanizar”, da mesma forma que faz quando percebe seu quadril se desalinhar ao elevar uma das pernas para entrar em Utthita Hasta Padangusthásana (postura em pé com uma das mãos segurando uma perna elevada e mantendo os joelhos estendidos) e, com consciência, desce a virilha externa, cria espaço na cintura, abre o peito e dá ação nas pernas para fazer uma postura bem alinhada e conectada com princípios superiores.

Prática de Yoga, conseqüente desaceleração dos pensamentos, mais qualidade na respiração e a partir daí desenvolver de forma apurada a capacidade de se observar e poder “sacar” mais coisas sobre você mesmo e seu jeito de ser. Com esses dados, cave elementos ou situações de vida que estão passando longe de suas percepções…”desfoque” um pouco o olhar e abra a lente, veja quantas coisas existem na vida, nutra-se de novas impressões e situações, considere outras soluções… Experimente a aventura dessa blind date com um outro lado de você mesmo e veja o que vai acontecer!

Abraçásanas…

JACKIE
Você tem consciência das forças que determinam suas decisões fundamentais de vida? O que controla você? ”

Uma das armadilhas de nossos condicionamentos é fazer-nos acreditar que somos livres… Acreditamos na ilusão de que temos liberdade porque podemos nos deslocar de um lado para o outro, escolher nosso trabalho ou o estilo de roupas que usamos. Num determinado nível, isso é verdadeiro. Porém, tudo isso é feito através de um ponto de vista estreito e não significa que somos livres de verdade.

A real liberdade é muito mais do que apenas “fazer-o-que-você-quiser-da-forma-como-bem-lhe-entender”. Para alcançá-la e vivê-la, precisamos resgatá-la. Como? Com um método que, ao mesmo tempo, ajude-nos à “des-cobrir”, respeitar e valorizar nossa natureza essencial e também d e s c o n s t r u i r nossos condicionamentos.

Que método é esse? Como podemos descobrir o que em nós corresponde á nossa essência e merece escuta e preservação e o que em nós corresponde aos condicionamentos limitantes que nos reduzem enquanto seres humanos em nosso mais alto grau de existência e presença? Como separar o joio do trigo?

Como achar um método de “transformação”, “alquimia”, “desenvolvimento” que irá de fato conduzir-nos para o “melhor” em nós e eliminar a ilusão que nos cega? E como posso perceber se minha prática, que não é ginástica nem relaxamento, mas um autêntico e poderoso método iniciático com o objetivo de conduzir-me além da minha ilusória e limitada personalidade está realmente levando-me para meu Ser Essencial e Livre de condicionamentos adquiridos? Não vou revelar nada novo, mas espero que possa colocar de uma forma mais clara o que já foi dito tantas vezes, pois foi o que precisei fazer para eu mesma poder compreender direito esses significados.

Ponto 1: para tomar consciência das forças que governam e limitan sua vida você precisa conhecer seus condicionamentos. Como fazer para conhecê-los?

Para conhecer seus condicionamentos ative o observador interno, aquela parte de você que simplesmente fotografa cada manifestação de sua parte. não faça julgamentos nem análises. Conheça seus próprios padrões mecânicos e reconheça a tenacidade com que certas preocupações recorrem á sua mente.

Para conseguir fazer o OBSERVADOR INTERNO trabalhar de verdade, atento e alerta, é necessário que você d-e-s-a-c-e-l-e-r-e os pensamentos, tão velozes e voláteis, para que VOCÊ ENQUANTO OBSERVADOR possa acompanhá-los desde a sua formação até a conclusão de cada um deles. Para isso, sua prática de Yoga é uma ferramenta poderosa, pois pode ser usada desde os primeiros passos na nossa jornada de auto-investigação até o objetivo último e mais nobre de um Ser Humano.

Realizar esta observação é um trabalho e tanto e mais completo ainda é também observar as emoções e os sentimentos, desde suas raízes até seu desaparecimento ou transmutação em outros sentimentos e emoções. Com esta Observação, você irá perceber onde está sendo cegamente coagido pela sua limitada personalidade (composição de medos, desejos e aversões) e trabalhar para a sua libertação.

É preciso primeiro reconhecer aquilo que é mecânico, artificial e tendencioso e depois trabalhar para compreender e transcender estas características. A sua prática (ou o método escolhido por você para sua evolução) deve levá-lo a conhecer a sua natureza mais profunda e proporcionar momentos maravilhosos, porém, para que esse maravilhamento seja cada vez mais amplo, você deve ficar também mais consciente dos seus padrões mecânicos reativos e escuros. Afinal, como podemos ser curados de uma personalidade estreita e artificial e nos tornar-nos nossa natureza essencial se não conhecemos e admitimos nosso “mal”?

Reflita sobre essas questões por algum tempo. Observe-se. Comece a investigar seu “traço principal” ou “fraqueza principal”, em torno da qual giram os aspectos ilusórios da personalidade. No próximo mês seguiremos com o mesmo tema, trazendo mais direções sobre o que fazer para resolver estas questões complexas que fazem parte do caminho de quem deseja de fato transformar-se e elevar-se…!

“Nossa tarefa é tornar-nos o que somos”
– Rabindranath Tagore –

Abraçásanas e Coragem sempre.

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